Eu tava
conversando com uma amiga no Whatsapp. Nossa dinâmica é assim: eu mando textões
e ela manda áudios grandes. Funciona bem. Porque eu vou ouvindo e escrevendo. E
ela vai lendo e falando. Eu tava falando com ela sobre como não ando muito bem
nas últimas semanas. Juntou uma TPM nunca antes vista, com muitos sintomas
físicos (muito bom menstruar! O sagrado feminino!!!), a reação da vacina e os
efeitos colaterais que ainda sinto tomando Roacutan (não vejo a hora de acabar,
mas medo de voltar as espinhas. Aiai muito boa a jornada do auto conhecimento,
né). Desmarquei uma ligação com ela porque tava triste e me sentindo péssima
companhia. Ainda me sinto assim, mas abriu uma brechinha de luz que me permitiu
pensar um pouco nas razões pelas quais estou passando por esse momento cinza e
foi justamente enquanto eu falava com ela que me dei conta: excesso de
realidade.
Claro
que, em mais de um ano de pandemia, muita gente, se não todo mundo, já sentiu que
o excesso de realidade não cai bem se a gente fica exposto muito tempo e quase
todo mundo já tentou em algum momento se desconectar da realidade pra ver se
sente algum tipo de alívio. Drogas, álcool, k-pop, anúncios de apartamentos
caríssimos que nunca serão comprados, etc. Eu, sinceramente, não sucumbi a
nenhuma dessas alternativas (infelizmente, pois eu bem queria uma droga) e
simplesmente fui esperando meu cérebro fazer esse trabalho
sozinho.
Porém,
costumava sonhar, tipo viajar na maionese, sabe - ou devaneios como a minha irmã
fala - com várias coisas. Minha viagem pro Brasil, uma viagem sozinha pra Europa
onde vou encontrar essa minha amiga e seremos felizes demais, tomando gelato na
Itália, ou até mesmo no momento que a escola vai voltar e e ter
minhas manhãs de silêncio e paz novamente.
O
problema é que não tenho conseguido fazer mais isso. A vida adulta tá realmente
me engolindo. E eu sinto que já tô sendo até digerida. Quem permitiu que a
gente crescesse, meu deus?
Tenho
tido ataques de ansiedade. Do nada me dá um frio na barriga, como se eu tivesse
uma apresentação pra fazer e estivesse prestes a subir no palco (nunca me
apresentei num palco - a não ser uma vez que dancei Stronger da Britney no
ensino médio (foi ótimo!)) e tem uma técnica bem famosa e eficaz pra, aos
poucos, sair do ataque de ansiedade que é focar no que é real, no que tá na tua
volta, no que tu consegue ver. Objetos, pessoas, cores, etc. Eu acho que me
aprofundei muito nessa técnica, porque passei a praticar mesmo fora do ataque de
ansiedade e expandi as coisas nas quais focar. Então, por causa disso,
constantemente me vejo focando nas contas pra pagar, na máquina de lavar roupa
que faz um barulho surreal quando tá funcionando (eu não sei como não recebemos
nenhuma reclamação ainda. O isolamento acústico deste apartamento tá de
parabéns), nas mini formigas que eu descobri no apartamento e como me livrar
delas, na minha ida ao Brasil com minha filha que não tá vacinada, nas aulas
que eu preciso dar, nos planejamentos que preciso fazer.
E ok,
talvez vocês me digam que é relativamente normal pensar nessas coisas, mas eu
sinto que tá passando um pouco dos limites, porque meus ataques de ansiedade
estão voltando e eu não tô conseguindo voltar para o princípio básico da
técnica aquela. Além disso, tenho achado muito difícil me desconectar da
realidade. Leio duas páginas de algum livro, paro e vou limpar algo (o que
também tem se tornado uma pequena obsessão), começo a jogar algo e 5 minutos
depois dispersei e não quero mais. Nem ver um episódio inteiro de alguma série
eu consigo mais.
Então
assim, o que fazer? É um post pedindo conselho? Sim. Eu poderia estar fazendo
isso na terapia? Com certeza, e o farei, mas quem leu minha newsletter (cof,
cof, assinem) sabe que a minha psico gosta de ir a fundo nas questões e agora
eu quero muito ir no raso, bem raso, boiar nas questões e não pensar mais
nelas.


